Histórico Documental

A Artista e o Processo Expositivo

Uma trajetória pública de participação em mostras coletivas que evidenciam a pesquisa poética e os desdobramentos conceituais da artista.

*Todas as obras produzidas possuem registro de Direitos Autorais

Importância das Exposições

Pesquisa Poética em Diálogo

Cada mostra é, para mim, um desdobramento da linguagem, um espaço de experimentação e de diálogo com o público e a crítica. É no momento expositivo que a pintura deixa o meu espaço de criação e passa a encontrar outros olhares, experiências e sensibilidades.

Gosto especialmente desse encontro. Observar as pessoas diante das minhas pinturas, ouvir suas perguntas, conhecer suas impressões e perceber o que despertou sua atenção é uma parte muito prazerosa do meu trabalho. Algumas querem saber sobre a inspiração ou o processo criativo; outras se interessam pelos materiais e pelas escolhas feitas durante a construção da obra. Há também quem simplesmente conte o que sentiu ao observá-la. Aprendi a ouvir essas percepções com atenção, porque cada uma delas me revela uma possibilidade diferente de olhar para aquilo que criei.

Uma mesma pintura pode provocar leituras completamente distintas. Onde alguém percebe proteção, outra pessoa pode enxergar prisão. Aquilo que para mim nasceu de determinada experiência pode encontrar, no outro, uma memória ou um sentimento completamente diferente. Essa liberdade de interpretação me encanta: depois de concluída, a obra deixa de pertencer somente à minha intenção e passa a existir também na experiência de quem a observa.

É por isso que valorizo tanto o momento expositivo. Além de apresentar meu trabalho, ele me permite testemunhar esse encontro inesperado entre a pintura e o outro. E há uma satisfação genuína em descobrir que algo que começou dentro de mim pode despertar, em outra pessoa, um significado que eu mesma não havia imaginado.

                                                                                                  Priscila Ramires, Artista Visual

Trajetória Expositiva

Obras Expostas

Ao longo da minha trajetória, participei de diferentes exposições e eventos, apresentando obras de períodos, linguagens e propostas diversas. Em vez de reunir aqui todo o meu percurso expositivo, optei por destacar duas obras que considero especialmente representativas do momento atual da minha pesquisa poética.

As escolhas não se dão apenas pela trajetória expositiva de cada pintura, mas também pelas questões que elas trazem para o meu trabalho. Em ambas, o corpo, o gesto, a presença e a possibilidade de diferentes interpretações assumem um papel importante, revelando aspectos da pesquisa que venho desenvolvendo por meio da pintura.

Estas duas obras funcionam, assim, como recortes de um percurso mais amplo: são exemplos de como minha linguagem vem se construindo e de como determinadas questões passam a reaparecer, ganhar novos sentidos e abrir caminhos para trabalhos futuros.

Entre Ficar e Voar

Esta obra participou de duas exposições e teve seu primeiro contato com o público no 5º Inspira Búzios, realizado na Galeria Ateliê Flory Menezes. Sua segunda apresentação aconteceu em âmbito internacional, no Prêmio Arte Anima Latina, em Perugia, na Itália, uma experiência particularmente significativa por possibilitar que a pintura encontrasse outros olhares e contextos.

A inspiração para esta pintura não nasceu de uma paisagem ou de uma imagem específica, mas de uma emoção. Ela surgiu de um lugar que as palavras nem sempre alcançam, do encontro entre sentimentos, memórias e a necessidade de transformar aquilo que se vive em arte.

Durante o processo de criação, o gesto da mão tornou-se também uma forma de expressão. Uma mão que toca pode acolher, proteger, conduzir ou conter. Foi a partir dessa percepção que a pintura abriu uma questão que passou a acompanhar minha pesquisa: até onde um mesmo gesto pode despertar sentimentos contraditórios? Até onde a mão que afaga pode ser também a mão que aprisiona?

Interessa-me investigar como esses sentidos podem coexistir em uma mesma imagem e como o gesto, além de representar uma ação, pode carregar intenção, afeto, tensão e ambiguidade. Essa questão passou a integrar minha pesquisa poética, especialmente na investigação da relação entre gesto, corpo e aquilo que permanece aberto à interpretação de quem observa.

A pintura, assim, torna-se um espaço onde proteção e contenção, afeto e limite podem coexistir sem que uma interpretação precise anular a outra.

2025 | Óleo sobre tela | 70x100cm

O Peso do Mundo

Esta obra teve sua primeira aparição pública no 24 Salão de Arte de São Paulo, realizado no Esporte Clube Pinheiros, em 2025. Posteriormente, foi selecionada para a Mostra de Artes Visuais do Club Art, durante a COP30, realizada no Socialtel, em Copacabana, também em 2025, e voltou a ser apresentada em 2026, no Búzios Beach Resort.

Nesta obra, uma figura feminina representa a Mãe Natureza, carregando, no lugar da cabeça, o globo terrestre. A imagem parte de uma reflexão sobre a responsabilidade que compartilhamos na preservação do planeta. O corpo, nessa pintura, também é linguagem. Seus contornos, sua postura e os elementos que o envolvem constroem uma narrativa por meio de relações e gestos. As vinhas que se aproximam e envolvem o corpo podem sugerir tanto conexão quanto dependência; o gesto de sustentar o mundo sobre si carrega, ao mesmo tempo, responsabilidade e peso.

É nessa ambiguidade que encontro uma questão importante para minha pesquisa: como um gesto, uma postura ou uma relação corporal podem comunicar sentidos que ultrapassam aquilo que está representado? Interessa-me explorar a capacidade da pintura de fazer com que um movimento ou uma presença corporal carregue ideias, sentimentos e possibilidades de interpretação.

O pôr do sol reforça essa passagem entre tempos. Referenciando o fim e o recomeço, a imagem permanece aberta à escolha e à responsabilidade humana. Mais do que representar uma mensagem sobre a natureza, busco criar uma imagem que convide o observador a pensar sobre aquilo que sustenta, aquilo que transforma e aquilo que ainda podemos escolher construir.

2026 | Óleo sobre tela | 50x60cm

Trajetória Expositiva

Mostras Coletivas

                             A voz da Artista

Pintar é olhar com mais atenção para experiências, lembranças, sentimentos, gestos e inquietações, transformando aquilo que muitas vezes existe apenas como sensação em uma imagem que pode ganhar novos sentidos.

Me fascina o momento em que a obra encontra o olhar do outro. Cada pessoa pode perceber nela algo diferente daquilo que esteve na sua origem. É nesse encontro que, para mim, a arte ganha uma dimensão maior: quando algo que nasceu de uma experiência particular consegue alcançar o outro e abrir espaço para novas interpretações. Por isso, mais do que uma forma de expressão, a arte é, presença, investigação e encontro.

                                                                                                                                Priscila Ramires, Artista Visual